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Um pensamento sobre “CONTATO

  1. Glaucio. disse:

    Ontem (17) assisti vossa apresentação. Parabéns. Algo em mim foi transformado. Fiquei para o debate. Gostei muito da discussão. Não havia muito tempo, de modo que nem pudemos mergulhar nas implicações filosóficas da peça, uma vez que as perguntas foram mais detidas nos aspectos técnicos da montagem. Assim sendo, tomo a ousadia de me reportar a você. Meus dizeres podem parecer pouco sensíveis, mas, aí vai.
    Queria me deter na abordagem da relação entre forças dos atores. Falando de Brecht, chegamos a Marx. O Marx das Teses sobre Feuerbach criticara a postura feuerbachiana no que tange à concepção de um materialismo “vulgar”: ao polarizar a relação do indivíduo com o meio como mera passividade e receptividade daquele em relação a este – o indivíduo é produto do meio – Feuerbach se esquecera da “completude”, do passo-a-mais da consideração dialética. Isto por que, para Marx, o indivíduo, na medida em que é produzido pelo meio, do mesmo modo o produz. Tal pensamento pode esboçar ingenuidade, é claro, posto podermos objetar: “Mas, é lógico! Não existe meio sem indivíduo!”. Contudo, a apreciação deste elemento entra como memória e, mais que isso, como um modo de “reposicionar” a consciência humana no mundo.
    O Cantil mostra isso. A tensão constante entre as forças do boneco-narrador e do manipulador-narrador deve saltar à avaliação posterior na avaliação estética do público que a assiste. Ou seja, O Cantil continua se apresentando incisivamente ao imaginário e à contemplação, mesmo quando o estampido soou e as cortinas se cerraram. A dialética entre os atores, a força mesma fundamental da peça, atua silenciosamente, sem que o público possa a isso atentar devidamente em seu decorrer, mas que flagra nossa reflexão enquanto ressonância. A “tese” de um ator é contrabalanceada pela “antítese” de seu companheiro. Não é o manipulador/meio somente quem dita às regras do jogo: para suprimir a força alheia, tem de reconhecer sua funcionalidade apenas enquanto depende do manipulado. Nas relações humanas, não há senhor sem escravo.
    Bom, se fui prolixo e/ou demasiadamente extenso, foi mal. É que a peça suscita isso mesmo: não obstante a clareza dos movimentos em cena, seu significado, naquele mesmo silêncio, é difuso. Também, escrevi isto sem maiores reparos, porque quis assim mesmo, só de alma repleta.

    Parabéns.

    Glaucio

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