Bodas de zinco

Mayara de Araújo para Caderno 3 – Jornal Diário do Nordeste

Em 2013, o cearense Teatro Máquina completa dez anos de trabalhos e comemora com remontagens

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Teatro regionalista, palhaçaria, drama autoral, performance ou expressionismo alemão. A diversidade de grupos e correntes de pensamento no seio dos grupos teatrais cearenses é digna de orgulho. Sobretudo quando a reunião despretensiosa de amantes das artes cênicas vira teatro profissional, linha de pesquisa, itinerância. Torna-se um trabalho consistente e diário, fortalecido a cada montagem. É o caso do Teatro Máquina, que, em 2013, completa 10 anos.

Seu nascimento, como o de muitos outros grupos, aliás, lembra um daqueles romances longos, que começam na juventude, em encontros amistosos. Era o ano de 2002 e um grupo de atores, recém-saído de um festival de teatro para escolas públicas encontrava-se com uma diretora que acabara de voltar para Fortaleza com um texto de Bretch nas mãos.

Um ano inteiro de ensaios e, em junho de 2003, a estreia. “Para o primeiro espetáculo, fomos muito bem recebidos. Apresentamos em Guaramiranga e conseguimos vários espaços de Fortaleza”, relembra a diretora Fran Teixeira, fundadora do grupo.

Em 2004, um novo texto alemão, desta vez de Brüchner, novamente os enlaçaria. Um romance, aliás. “Leonce e Lena”, escrita em 1836, é a única comédia de Georg Büchner. A peça trata da história de dois jovens nobres, o príncipe Leonce, do Reino de Popo e a princesa Lena, do Reino de Pipi. Ambos estão prometidos em casamento, mas fogem porque rejeitam essa ideia. Por acaso, no entanto, encontram-se e se apaixonam, sem chegar a conhecer suas identidades.

O ano de 2005, estreia da montagem, foi especial para o Máquina. Fran já ministrava aulas em Fortaleza e, nelas, encontrou-se com outros atores. Chamou-os para “Leonce+Lena” e, dessa leva, surgiu, entre outros, Levy Mota, ator e produtor.

E se, naquele ano, Máquina já andava de mãos dadas pela rua e já podia mudar o status do Facebook para “em relacionamento sério com…” o teatro(?), em 2008, pode-se dizer que aconteceu o tão aguardado pedido de casamento.

“Em 2008, com ´O Cantil´, o grupo deu uma guinada. Acho que as coisas vem acontecendo mesmo desse ano pra cá. ´O Cantil´ foi contemplado pelo edital da Funarte e pelo da Secult, tivemos um orçamento mais razoável para montar o espetáculo, era bem apertado até então.

Talvez por isso a montagem teve uma qualidade surpreendente, fizemos vários festivais de fora, grandes vitrines daqui também, Porto Alegre, São José do Rio Preto… Foi naquele momento que começamos a aprender a nos organizar melhor, a nos entender como grupo”, afirma Levy Mota. Naquele ano, a companhia, de fato, assumiu-se como tal. Muito mais do que atores e diretora, o grupo aprendeu a ser produtor, contrarregra, dramaturgo, assessor, tudo em coletivo. E como reza o dito popular, “quem casa, quer casa”. O sonho da casa própria (ainda que de aluguel) veio através do convite do vizinho Bagaceira, interessado em uma companhia com a qual dividir as despesas e o espaço da charmosa Casa da Esquina, onde ambos convivem desde 2010. “Esse foi um momento muito importante também, porque ter um local para trabalhar muda completamente a relação de trabalho. Estamos lá diariamente de segunda a sexta, como em qualquer local de trabalho. Entendemos a importância de estarmos nos vendo, mesmo sem ensaio, em reuniões, planejando as contas, fechando a papelada de editais”, acrescenta Mota.

Planos

Ao fim de 2012, alguns desses encontros tinham como pauta as comemorações da primeira década. Bodas de Zinco. O primeiro dos eventos é a remontagem de “Leonce+Lena”, que acontece já neste fim de semana, no Theatro José de Alencar. Mas não finda aí. Nesta quinta-feira, dia 31, o último dia do mês, a companhia promove o já tradicional multiencontro de artistas em “Pequenos trabalhos não são trabalhos pequenos”, na Casa da Esquina.

Em fevereiro, é a vez de Ivanov ser remontado e voltar para o mesmo espaço onde foi estreado: o Teatro Sesc Senac Iracema. Em maio, finalmente, a Mostra Teatro Máquina 10 Anos deve aglutinar o repertório do grupo, intervenções, seminários, exposições e apresentações musicais.

SAIBA MAIS

Hoje

“Leonce+Lena”, no Theatro José de Alencar. Hoje e amanhã às 19h, domingo às 18h

Ingressos: R$20 / R$10

* o público ocupará arquibancadas dispostas no palco do Theatro, portanto a lotação é de 100 lugares.

Quinta-feira, Dia 31/01

“Pequenos Trabalhos não são Trabalhos Pequenos”, na Casa da Esquina (sede do grupo – Rua João Lobo Filho, 62 – Fátima), a partir das 18h. Entrada franca.

*Evento realizado mensalmente pelo grupo, sempre na última quinta-feira, com apresentações de artistas de diversas linguagens.

07, 14, 21 e 28 de Fevereiro

Ivanov, no Teatro SESC Senac Iracema, sempre às 20h.

Ingressos: R$20 / R$10

“Leonce+Lena” abre os trabalhos

“É um novo espetáculo. Muito diferente do anterior”, sentencia o ator Levy Mota, um dos integrantes do grupo Teatro Máquina, sobre a remontagem de “Leonce+Lena”.

Datado de 2005,o espetáculo teve uma carreira de cerca de dois anos, com apresentações pelos principais espaços de exibição de Fortaleza, além das participações no Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga e no Festival de Teatro de Fortaleza.

O projeto de montagem foi vencedor do II Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará e foi apoiado pelo Goethe Institut e pelo Programa DAAD, através da Casa de Cultura Alemã/UFC.

O espetáculo também realizou circulação pelas escolas públicas municipais através do Edital das Artes 2006 da Funcet/Prefeitura de Fortaleza.

Em 2012, como parte das atividades de comemoração dos dez anos do grupo e dos 50 anos da Casa de Cultura Alemã da UFC, o Máquina decidiu retomar o projeto.

“A primeira montagem foi toda pautada numa concepção da Fran, de esporte, jogo, com atletas… Agora, como, inclusive, ela está um pouco ausente, por causa do doutorado, tivemos que revisá-lo e ensaiá-lo em coletivo, nos ajudando”, explica Mota.

Segundo o ator, o texto sofreu poucas alterações, mas a concepção de cenário e figurino, além de ideias de cena e trilha sonora foram, sim, modificadas.

“Creio que essa versão é muito mais rica. Estamos agregando as nossas vivências e o espetáculo está muito mais dentro da gente. Estamos tentando estabelecer uma maior interação entre o elenco”, acrescenta.

“Leonce+Lena” fica em cartaz no Theatro José de Alencar neste fim de semana.

Mais informações:

“Leonce+Lena”, no Theatro José de Alencar (R. Liberato Barroso, 525). Hoje e amanhã às 19h, domingo às 18h. Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia). Contato: (85) 3101.2586

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