Repetição: estável ou desestabilizado?

(Registro do 1º dia da Oficina Jogo e Repetição em João Pessoa)

 Por Renilson Targino

Uma cena, um movimento artístico, uma performance, um espetáculo com ausência da palavra me move, rouba meu olhar de uma forma inigualável, suscita-me novas idéias, e me dar abertura para inúmeras leituras.
O movimento move o espectador a uma leitura, muitas vezes individual ou coletiva- dependendo do seu grau de subjetividade – os sentidos são criados em nossa mente à medida que absorvemos o que nos é mostrado pelo corpo dos atores, bailarinos ou performes. Quando os movimentos são repetidos inúmeras vezes, é notável a diferença de tempo e espaço. Não existe nada que possa ser repetido da mesma maneira, por mais precisa que a pessoa que execute seja. A efemeridade é perceptível de uma execução para outra, umas em maior escala, outras em menor.A cada novo executar, o movimento é reelaborado, ressignificado e desestabilizado.
No dia 17 de Abril de 2012, comecei uma oficina intitulada “Jogo e repetição, uma composição gestual” com o grupo Teatro Máquina, onde me interessei pela mesma por acarretar assuntos que venho investigando durante um tempo com um colega do curso de Bacharelado em teatro da UFPB. Motivados tanto pela disciplina de Interpretação III, que tinha como foco principal: estudar a linguagem brechtiana, quanto Interpretação IV, que trabalha com princípios de grotowisky, Eugênio Barba, e trabalha com corpo pré-expressivo, teatro-físico e repetição.
A oficina me fez perceber, no 2ª momento ( Trabalho com sensibilidade) que a confiança é importantíssima em qualquer trabalho que envolve relação entre pessoas, no 3ª Momento( trabalho com narração e repetição) a suma importância da concentração em qualquer trabalho artístico ,E que a repetição , olhando por um lado da moeda é uma forma de transformar um movimento em algo tão presente no nosso corpo que depois de um certo momento tornamo-los normalizado, e ao mesmo tempo repetimos como se fosse pela primeira vez.
Nesse 3ª momento foi sugerido que pensássemos em algo que aconteceu em nossas vidas e colocar essa mesma história na 3ª pessoa do singular, e que repetíssemos a mesma história inúmeras vezes olhando para alguém fixadamente.Após isso, sugeriram que escolhêssemos verbos presentes na história e fizéssemos uma ação relacionada a esse verbo, e que repetíssemos, repetíssemos e repetíssemos.
O que me deixa de proveitoso nesse primeiro dia, são perguntas que ficaram na minha mente, que não se diferem das que tinha desde o começo da minha pesquisa sobre “Repetição”, que ao mesmo tempo são e não são palpáveis. São elas: para ter o mesmo sentido do inicio até o final necessita de precisão? O que é possível repetir? É possível repetir a emoção? É possível repetir a ação? O que permanece de uma execução para outra? Seu significado é estável? Ou é desestabilizado?

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