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circulação br: O cantil em aracaju

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Última parada. Sergipe, Aracaju. Nossa circulação se encerra nessa cidade calorosa que tanto ainda nos encheu de expectativas para o final da circulação de O Cantil. Chegamos em Aracaju dia 22 de abril e logo conhecemos o local de apresentação, o teatro Atheneu (1954), o mais antigo espaço de espetáculo em atividade no estado e um dos 10 maiores da região nordeste.

Com aproximadamente 900 lugares, o Teatro recebeu um grande número de espectadores durante os dias 24 e 25 de abril nas apresentações de O Cantil. Os debates pós-apresentação que nas capitais anteriores nos foi bastante satisfatório, em Aracaju não foi diferente, pois contamos com uma plateia ativa que muito questionou sobre o processo de trabalho do espetáculo.

A Oficina Jogo e Repetição que aconteceu no espaço Casa Rua da Cultura, ponto de cultura e também sede da Cia. Stultifera Navis, tanto nos oportunizou o contato com um público bastante interessado (atores e estudantes de licenciatura em teatro) como em conhecer mais sobre o trabalho da Cia. e o projeto da casa, deixando a vontade de futuras parcerias.

Estamos muito felizes com a experiência da circulação. De conhecer mais sobre o movimento artístico e teatral da nossa região e em divulgar o trabalho que fazemos como teatro de grupo. Gostaríamos muito de agradecer a todos (produtores locais, técnicos e funcionários do teatro, grupos parceiros, atores e estudantes que participaram da oficina e ao público que apreciou o espetáculo) pela receptividade, carinho e dedicação. Onde junto com a gente registra a finalização de mais um projeto de resultado bastante positivo e que nos enche de expectativas e ânimo para os próximos.

Então, que venham eles.

Oficina jogo e repetição na Casa rua da cultura em Aracaju

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A Casa Rua da Cultura mantida pela Cia de Teatro Stultifera Navis, que do latim significa ‘Nau dos Insensatos’, há 10 anos vem desenvolvendo projetos culturais em Sergipe encabeçados pelo seu fundador e diretor, o cearense radicado em Aracaju desde 1995, Lindemberg Monteiro.

Formado em Direção pela Universidade do Rio de Janeiro – UniRio -, Lindemberg foi aluno da escola de teatro mais antiga da América Latina em atividade, a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna, no Rio de Janeiro. Quando de sua chegada a Sergipe, em 1995, a cena teatral em Aracaju estava passando por um momento de pouca produção, com poucos projetos e poucas montagens, mas ele não ficou parado: deu aulas de teatro em escolas, montou espetáculos, começou sua própria companhia, criou o que hoje é a Rua da Cultura. Atualmente é o diretor da Casa Rua da Cultura e da cia Stultifera Navis.

A cia, que nessa década de existência já abrigou inúmeros artistas, atualmente conta com uma média de 30 atores que se revezam na montagem dos espetáculos, no cuidado da Casa Rua da Cultura e na criação de projetos de expansão e divulgação de suas atividades.

Saiba mais sobre o projeto e o grupo em : http://www.casaruadacultura.com/

Circulação BR: O cantil em João Pessoa-PB

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O projeto circulação nordeste Teatro máquina chega a calorosa João Pessoa na Paraíba. Calorosa pelo clima e pela receptividade. Temos a oportunidade de estar na cidade paraibana pela segunda vez; desta vez com o nosso espetáculo O cantil, que ainda era inédito na cidade, e nossa oficina de interpretação – jogo e repetição. Nós, impressionados com a beleza do Teatro Santa Roza aguardávamos com expectativa a apresentação da primeira noite. A surpresa foi grande quando espiamos pela cortina e vimos uma fila imensa à frente do teatro. A praça cheia de gente, o barulho do público nos deixou com os nervos a mil para a apresentação. O Teatro mais antigo e tradicional de João Pessoa e que se encontra no centro da cidade, possui 485 lugares e estava lotado, ocupando em torno de 465 lugares numa plena terça-feira. Uma felicidade pra nós! Podemos dizer que ontem realizamos uma das mais belas apresentações de O cantil. Aplauso caloroso ao final, debate instigante com o público nos dá um retorno imediato e uma dimensão do interesse que as pessoas tem para com a linguagem teatral. Cheios de satisfação, nos preparamos para a segunda noite de apresentação e acreditamos que seja tão boa quanto foi a primeira. Aqui a oficina vem trazendo descobertas maravilhosas com as experiências de investigação individual e coletiva trocadas intensamente com os alunos, nos fazendo sempre aprender um pouco mais sobre o trabalho que desenvolvemos e que estudamos. Os relatos dos alunos que colocamos aqui dão uma pequena prova da produtividade que temos tido com a oficina. A segunda noite de apresentação foi ainda mais linda. Uma apresentação emocionante. O público transbordando pelos corredores do teatro; gente assistindo em pé, num cantinho ali, outro acolá; cheio, teatro cheio! Imagem que vai ficar guardada em nossas memórias. Deixamos Paraíba com uma bela bagagem; ideias para a continuidade do nosso teatro, e acreditamos ter deixado também nas pessoas com quem cruzamos por aqui e trocamos essa experiência coletiva e política do encontro algo importante e que movimentou a cidade de um jeito especial. Bem, pessoal, vamos avançando felizes com nossa circulação. Estamos chegando Maceió! Até lá!

 

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Nossa circulação não poderia ter começado melhor. Estivemos em Teresina, uma cidade simpática de pessoas sorridentes e generosas. Chegamos no dia 10 de abril. Conhecemos o Teatro 4 de Setembro, localizado no centro da cidade, onde nos apresentamos com o espetáculo O Cantil e onde realizamos a nossa oficina de interpretação, nos dois dias seguintes.

As apresentações contaram com um público receptivo e inteligente que se mostrou intrigado com as questões técnicas e conceituais do espetáculo. Interesse que se tornou visível pelas muitas perguntas e comentários produzidos durante o debate que realizamos após a apresentação.

A Oficina, que aconteceu nas manhãs dos dias 11 e 12, também contou com um excelente público, na maioria, integrantes de grupos e de oficinas permanentes de teatro de Teresina e também, da cidade vizinha, União.

Nosso tempo de permanência na cidade foi curto, mas preenchido com uma atividade intensa e com o início de relação afetiva e artística bem interessante entre o grupo e os artistas e estudantes da cidade.

Agradecemos a todos (produtores, técnicos e funcionários do teatro, atores e estudantes que participaram da oficina e público que apreciou o espetáculo) pela aconchegante acolhida. Esperamos voltar em breve para novas trocas, conversas e abraços. Estamos todos animados e cheios de expectativa para a próxima parada, a também lindíssima cidade de João Pessoa, na Paraíba.

O Cantil na Semana Sesc de Artes Cênicas

sesc

 

Veja a programação completa em:

http://www.sesc-ce.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=185:semana-sesc-de-artes-cenicas-&catid=35:materia&Itemid=82

Ivanov no VII Festival de Teatro de Fortaleza

Ivanov encerra o VII  Festival de Teatro de Fortaleza no Domingo, dia 16 de Outubro no Theatro José de Alencar. Ás 20hEntrada Franca.

ATENÇÃO:  recomenda-se chegar ao teatro com mínimo de 1h de antecedência devido à capacidade reduzida de público.

Veja a programação completa aqui.

O Cantil no Rio Grande do Sul

Retornamos (após uma semana muito fria!) satisfeitíssimos com nossa participação nos festivais internacionais Porto Alegre em Cena e Caxias em Cena, no Rio Grande do Sul.

Abaixo, alguns links com matérias e críticas locais de Porto Alegre e Caxias do Sul:

Manipulando Brecht, por Helena Mello (crítica);
O bom teatro, por Rodrigo Monteiro (crítica);
Nordeste sobe ao palco no Sul, por Luciana Romagnolli (matéria);
Atores-bonecos, por Carolina Kloss (matéria).

“O Cantil” – Ética e Estética ainda hoje, ou a lembrança de Brecht (CRÍTICA – FIT)

O grupo cearense sediado em Fortaleza, Teatro Máquina está em atividades desde em 2003. Conforme anúncio feito após o espetáculo que assistimos, pudemos visitar o site da companhia onde verificamos que se trata de um jovem grupo promissor, sério e bastante consciente de suas escolhas estéticas. O espetáculo apresentado no FIT foi O Cantil.

Antes de a apresentação iniciar, ouviu-se uma longa gravação que descreveu, detalhadamente, os prêmios e apoios, as leis e os incentivos que o grupo recebeu para realização deste espetáculo. Nenhuma palavra sobre Bertolt Brecht. Por que dizemos isso? Simplesmente, porque o núcleo fabular que dá origem à dramaturgia do espetáculo é tributário de uma peça da fase didática de Brecht, A exceção e a regra. Afirmamos isso, pois o espetáculo do Teatro Máquina possui tantas características comuns com esta peça, que fica difícil dizer o contrário. Os personagens são os mesmos: o Comerciante, ou Negociante, ou Patrão como é empregado na sinopse; depois vem o Cule ou o Carregador ou ainda o Empregado, sempre conforme a sinopse da programação do FIT; a cena do sonho do Negociante quando é assombrado e depois despertado pelo pesadelo da culpa; o jogo da água no cantil; a exploração incessante do Negociante sobre o Carregador; as diversas paradas com o Negociante observando com binóculo o local aonde ele quer chegar (Urga no original); o comportamento egoísta, prepotente, vil, violento e arrogante do Negociante em oposição à submissão do Carregador; o gesto solidário do Carregador que ao fim e ao cabo da marcha é mal interpretado por seu Patrão, que acaba assassinando-o. Isto é, Brecht queria demonstrar que, o Negociante impulsionado pelo “medo de classe”, atira para depois perguntar; pois só se certificaria depois da morte do inocente, acerca do que significara, de fato, aquele gesto. Gesto esse que simplesmente demonstrava a possível exceção daquele Carregador, em relação aos outros da sua classe. Apesar de explorado e submetido ao Negociante, o Empregado fora capaz de um gesto de humanidade, fraternidade, pagando por isso mesmo com sua própria vida.

Por alguma sorte, no dia seguinte ao espetáculo, nos foi entregue um belo programa, específico sobre O Cantil. Esse programa não fora distribuído ao público assistente, supomos. O público presente às representações na UNIP não deve ter tido acesso ao mesmo programa que nós, Leitores Críticos tivemos posteriormente. Em parte, o programa torna pública a apropriação que o Teatro Máquina faz da peça de Brecht, porém, não explicita os laços políticos, estéticos e poéticos dessa apropriação.

Como nos deixa ver o espetáculo, e como devem saber os integrantes do Teatro Máquina, a fábula de Brecht é bem mais complexa do que o fragmento apresentado, que fica inclusive inconcluso devido a ausência dos demais personagens que possibilitam a operação dialética proposta na peça, em seu desdobramento na encenação. A fábula, contada da forma como nos apresentou o Teatro Máquina, acaba por gerar certa frustração em termos de expectativa. — Matou por que? Matou, e daí? — Essa expectativa é gerada pela apropriação dramatúrgica sem qualquer re-elaboração do ponto de vista da própria fábula. Como desdobramento da ação em Brecht, após a morte, haveria ainda o julgamento do Negociante e uma discussão sobre os meandros da justiça e sobre o valor do gesto mal interpretado. Evidente que nada disso é apresentado ao espectador do FIT, visto que o Teatro Máquina privilegiou a exibição de um pequeno núcleo da fábula brechtiana que possibilitava a demonstração de uma técnica corporal complexa.

Entretanto, como dizia o próprio Brecht o problema do teatro não seria só relativo aos novos conteúdos, mas também às novas formas. E em alguma media é com essa forma nova que o Teatro Máquina está se atritando em sua pesquisa — “Nesse trabalho, o Teatro Máquina pretende enveredar pelo universo oriental, através do estudo e da experimentação de técnicas de manipulação direta e aparente, investigando as relações possíveis entre ator e manipulador, ação e representação, repetição e descoberta gestual” —. (Programa da peça). A peça de Brecht foi escrita para tornar os atores sociais mais conscientes acerca do contrato social que permeia as relações humanas. Como peça didática tem pouco a oferecer ao espectador a sua intenção originária está na transformação daqueles que experimentam a peça. E nesse sentido, nos perguntamos: Qual a pertinência dos atores / personagens (O Patrão e o Empregado) serem manipulados por outros atores como se fossem marionetes? Que diferencial isso agrega à encenação e ou à fábula? Unicamente, para “enfatizar a metáfora da manipulação, estendendo a relação entre os personagens ficcionais para relação dos atores, através das figuras condensadas do boneco-narrador e do manipulador-narrador”, como nos informa a sinopse do Caderno do FIT? Tal objetivo como exercício pode ser mantido no âmbito do privado, sem a obrigação de se fazer público.

A esse respeito é muito satisfatório o resultado que alcança o Théâtre du Soleil dirigido por Arianne Mnouchkine, em Paris, quando da encenação de Tambours sur la digue. Trata-se de um exemplo significativo. Para montagem dessa fábula oriental, como provavelmente os integrantes do Teatro Máquina devem ter notícias, mas o grande público não, o espetáculo é realizado por três grupos de atores. O primeiro grupo de atores manipula o segundo grupo de atores / personagens e o terceiro grupo dos atores diz as falas e os textos dos personagens / atores manipulados.

A título de experiência, em termos de técnica de manipulação, poderíamos lembrar ainda da milenar técnica japonesa do bunraku, onde três atores, o mais escondido possível da platéia, manipulam um boneco-personagem, um boneco de verdade. Nesse caso, não haveria a presença de atores sendo manipulados, mas exclusivamente o boneco e seus manipuladores.

Brecht trabalhou para revelar a máquina teatral ao espectador. Ele trabalhou para influir na consciência da assistência sobre os meandros das relações sociais. É por isso que ele quebra com o ilusionismo, com a “magia do teatro” à maneira anestésica como nos apresentam os espetáculos do Cirque du Soleil.

Apesar de toda ambientação poética, com um belíssimo céu estrelado; barracas que surgem e desaparecem; uma bela caracterização dos bonecos; projeção de animações, indagamos: Como que esse jogo de manipulação pode agregar valor poético, político e estético à cena teatral e marcar seu diferencial acerca da narrativa? Reside aí a pesquisa e não é fácil responder. É para pensarmos.

Podemos supor que a execução da pantomima ou do mimodrama, que conta a história da malfadada viagem, do Patrão e do Empregado dispensa a presença de manipuladores. Entre outras contradições até, porque os rostos dos manipuladores passam quase que a substituir, completamente, a ausência de um olhar a partir do “boneco-ator”. O jogo corporal dos atores “manipulados” parece possuir autonomia suficientemente capaz de construir e estabelecer os fios da própria narrativa de suas ações. A iluminação parece estar ancorada no regime noturno para encobrir o ilusionismo. A singela fábula de Brecht é diurna e solar irradia razão e lucidez.

O Teatro Máquina vem de uma região onde se sabe que o imaginário local é o indutor, majoritariamente, da fabricação de inúmeras formas de comicidade. Nesse sentido é importante que o grupo seja fortemente encorajado para poder estabelecer um contraponto à essa realidade, por meio de suas pesquisas, e se estabelecer como uma outra opção diversificando o espectro cultural de sua localidade. Porém, nesse sentido seria importante uma meditação mais vertical, deste sério coletivo teatral, sobre as relações entre ética e estética, política e teatro, para um adensamento de suas próprias pretensões artísticas. Não criamos do nada. Somos irresponsáveis pelo futuro, se não damos conta do presente. E para tanto somos igualmente responsáveis por nossas apropriações daqueles que vieram antes de nós.

Walter Lima Torres
Leitor Crítico
wlimatorres@uol.com.br

http://www.estudosteatrais.blogspot.com/

http://www.festivalriopreto.com.br

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